Análise de Death Stranding 2: On the Beach

Uma experiência épica e misteriosa.

Introdução:

Hideo Kojima fez de novo. Se você, como eu, achava que Death Stranding era o ápice de uma visão autoral e criativa, prepare-se. Com Death Stranding 2, Hideo Kojima não se contentou em apenas criar uma sequência, ele refinou, expandiu e aprofundou cada pilar do original para entregar não apenas um dos melhores jogos do ano, mas uma das mais importantes obras de ficção científica desta geração. É uma jornada inesquecível, complexa e, acima de tudo, profundamente humana.

Narrativa:

Continuando a jornada de Sam Porter Bridges (interpretado por Norman Reedus), o enredo se passa cerca de um ano após os eventos do primeiro jogo e se aprofunda nas conexões que Sam estabeleceu, agora com o apoio de sua nova equipe, a Drawbridge. Desta vez, porém, ele divide o palco com Fragile (interpretada por Léa Seydoux), que assume um protagonismo marcante ao liderar essa nova organização. A Drawbridge é encarregada de reconectar o continente australiano, financiado por um misterioso personagem chamado Charlie. Se, no primeiro jogo, a história girava em torno da solidão de Sam e de criar conexões para unir uma nação devastada, em Death Stranding 2 a narrativa mergulha em águas mais profundas e filosóficas, a questão já não é se devemos nos conectar, mas como e por quê.

A construção de personagens é espetacular, com cada membro do elenco recebendo tempo suficiente para brilhar e evoluir ao longo da narrativa. Novos personagens, como Tomorrow (Elle Fanning), Dollman e Rainy, são introduzidos de maneira natural e trazem novas camadas de mistério e emoção ao universo do jogo. O vilão Higgs (Troy Baker) retorna de forma ainda mais ameaçadora, agora liderando um exército de robôs, aqui chamados de “robôs fantasmas”.

A trama abandona a sutileza em alguns momentos para tecer críticas sociais afiadas, abordando temas como a desinformação, a fragilidade das alianças e o próprio significado de "humanidade" em um mundo pós-apocalíptico. Sem entrar em spoilers pesados, é seguro dizer que a narrativa de Death Stranding 2 é uma das mais bem construídas da geração, com um ritmo mais dinâmico e uma dosagem equilibrada entre ação, entregas e cenas cinematográficas. A história culmina em um final avassalador, esquisito, no melhor estilo Kojima, que só poderia ter saído de sua mente criativa.

É uma jornada que mexe com as emoções e deixa o jogador refletindo muito após os créditos finais.

Gameplay:

Vamos direto ao ponto que muitos queriam saber: e o gameplay? A essência de atravessar terrenos desafiadores e gerenciar seu equipamento continua sendo o coração da experiência, mas agora com grandes upgrades em relação ao primeiro jogo.

As críticas ao "walking simulator" não apenas foram ouvidas, como foram elegantemente rebatidas com um design de mundo e ferramentas que tornam cada jornada única.

Agora podemos nos esgueirar por terrenos acidentados, usar o ambiente ao nosso favor e até mesmo distrair inimigos com novas ferramentas, tornando cada missão de infiltração uma experiência tensa e gratificante. O mundo do jogo agora tem tempestades de areia, nevascas, terremotos, enchentes, incêndios e você precisa lidar com essas adversidades que vão aparecer em sua jornada.

Já as sequências de ação estão mais intensas e satisfatórias, graças ao arsenal mais amplo de armas e equipamentos à disposição. A variedade de inimigos também aumentou, exigindo que a gente adapte as táticas constantemente. Seja enfrentando as temíveis EPs ou combatendo facções rivais, o combate é fluido e recompensador, sem nunca ofuscar a importância das entregas e da exploração. Além disso, a introdução de novos veículos e ferramentas de travessia, como o tri-cruiser, facilita a navegação pelo mundo vasto e desafiador, tornando a jornada menos árdua e mais acessível, especialmente para novos jogadores.

O equilíbrio entre esses elementos é impressionante. O primeiro jogo já era celebrado por transformar algo tão simples como "fazer entregas" em uma experiência cativante, e Death Stranding 2 mantém essa magia enquanto adiciona camadas de complexidade e diversão. Você pode surfar em um tipo de caixão, esse é o nível de loucura, criatividade e diversão que Kojima proporciona para nós em Death Stranding 2.

Monotrilho - um dos melhores pontos do jogo

Sem dúvidas, o monotrilho em Death Stranding 2, é uma adição revolucionária que eleva a jogabilidade ao status de game changer, Este sistema de transporte não é apenas uma ferramenta de conveniência, mas uma mecânica que reforça os temas centrais de conexão, colaboração e eficiência logística.

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O monotrilho redefine a mobilidade em Death Stranding 2 ao permitir que os jogadores cubram grandes distâncias rapidamente, transportando cargas pesadas e veículos entre regiões conectadas à rede quiral. Diferentemente das estruturas do primeiro jogo, como pontes e tirolesas, o monotrilho é uma infraestrutura de alto impacto que combina funcionalidade com espetáculo visual. Ele permite o transporte automatizado de recursos, como resinas e ligas especiais, e até de veículos, eliminando a necessidade de carregar manualmente toneladas de materiais por terrenos perigosos.

O primeiro monotrilho é obrigatório sua expansão, mas depois se torna opcional, mas eu digo que vale a pena investir tempo na expansão da rede de monotrilho, pois tornará sua vida mais fácil. Por exemplo, ao carregar cargas e veículos em contêineres e usar a opção “Despachar” nos terminais, os jogadores podem viajar agarrados ao monotrilho, apreciando vistas panorâmicas enquanto atravessam rios e terrenos acidentados em minutos, algo que levaria muito mais tempo a pé ou de veículo. Além disso, a integração com a mecânica de tirolesa permite que os jogadores usem o monotrilho como ponto de partida para deslocamentos rápidos sem veículos, desde que pelo menos duas junções estejam conectadas.

DHV Magalhães - um HUB central de gameplay e narrativa

A DHV Magalhães é muito mais do que uma simples nave em Death Stranding 2, ela é o “coração” da narrativa e do gameplay. Ela é uma base móvel, que busca reconectar outros continentes, nesse caso, o continente da Austrália. Magalhães é uma proeza tecnológica capaz de navegar pelo alcatrão no subterrâneo do planeta, pode ir a qualquer lugar, desde que tenha cobertura da rede quiral.

Projetada com um design futurista e funcional, a DHV Magalhães é descrita como uma nave altamente tecnológica, financiada por um misterioso benfeitor cuja identidade permanece envolta em segredo. A DHV serve como ponto narrativo e também afeta diretamente o gameplay. Já que ela habilita a viagem rápida, facilitando e muito a vida do jogador. A nave funciona como um hub central, onde o jogador retorna após missões para descansar, planejar e interagir com os membros da tripulação, evocando, segundo o próprio Kojima, uma sensação semelhante à de retornar à Mother Base em Metal Gear Solid V.

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Em um momento da história, a DHV Magalhães pode auxiliar em combate, a nave também é personalizável, embora de maneira limitada, mas você pode mudar algumas cores e colocar alguns desenhos. Em termos narrativos e temáticos, a DHV Magalhães carrega a essência de Death Stranding 2, a luta para unir um mundo despedaçado, a tensão entre ciência e espiritualidade, e a força das conexões humanas em meio ao caos. Ela não é apenas um meio de transporte ou uma base operacional, mas um espaço onde as histórias dos personagens e do jogador se entrelaçam, criando momentos memoráveis.

Trilha Sonora:

A trilha sonora de Death Stranding 2 é nada menos que fenomenal. Composta por uma equipe talentosa, incluindo contribuições de Woodkid, Low Roar e outros artistas, a música complementa perfeitamente a atmosfera do jogo.

A colaboração com Woodkid em faixas como "To The Wilder" e a presença de músicas inéditas da banda Low Roar, produzidas antes do falecimento do vocalista Ryan Karazija, adicionam uma camada extra de emoção e nostalgia. A trilha sonora não apenas embala a jornada de Sam, mas também intensifica os momentos de contemplação e descoberta, tornando-se um dos elementos mais marcantes da experiência. Assim como no primeiro jogo, a música aqui não é apenas um pano de fundo, mas uma personagem por si só.

Agora temos a inclusão de um reprodutor de músicas, que permite aos jogadores escolher quais faixas ouvir enquanto exploram áreas conectadas que tenham cobertura da rede quiral, é um toque bem-vindo e muito solicitado por quem jogou o primeiro jogo.

Level Design:

O design de mundo em Death Stranding 2 é um testemunho da atenção aos detalhes e da criatividade dos desenvolvedores. O jogo apresenta um mundo vasto e diversificado, com uma variedade de ambientes que vão desde desertos áridos até florestas e montanhas cobertas de neve. Cada área é meticulosamente projetada para oferecer desafios únicos e oportunidades de exploração, incentivando os jogadores a se aventurarem fora do caminho principal.

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A integração dos elementos multiplayer assíncronos, onde os jogadores podem deixar estruturas e itens para ajudar outros, continua a ser uma das mecânicas mais inovadoras e gratificantes, reforçando o tema central de conexão e cooperação.

Detalhes técnicos:

Visualmente, o jogo é uma obra-prima. Desenvolvido com a nova versão da Decima Engine, Death Stranding 2 entrega gráficos deslumbrantes, com texturas muito realistas, clima dinâmico e iluminação de última geração. O modo performance garante 60 quadros por segundo mesmo nas áreas mais complexas, joguei o jogo inteiro no modo performance no PS5 base, em nenhum momento quis testar o modo qualidade, então não poderei me aprofundar sobre. A direção de arte é igualmente impressionante, com cenários que variam de paisagens desoladas a cenários vibrantes, cada um contribuindo para a imersão do jogador.

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Outros aspectos notáveis:

Além dos pontos já mencionados, Death Stranding 2 brilha em diversos outros aspectos que contribuem para sua excelência. A dublagem é de alto nível, com atuações que dão vida aos personagens e adicionam profundidade à história. O elenco, que inclui nomes como Norman Reedus, Léa Seydoux e Elle Fanning, entrega performances memoráveis que elevam a narrativa a outro patamar. A apresentação geral é polida e coesa, com uma interface mais limpa e intuitiva, facilitando a navegação pelos menus.

Conclusão:

Em resumo, Death Stranding 2: On The Beach é uma obra-prima. Ele pega os pontos fortes do primeiro jogo, o gameplay inovador, a trilha sonora marcante e a construção de mundo, e os amplifica, ao mesmo tempo em que introduz novidades que mantêm a experiência fresca e emocionante. Com sua narrativa envolvente, construção de personagens excepcional, gameplay dinâmico, visuais deslumbrantes e trilha sonora evocativa, o jogo se destaca como um dos melhores títulos de ficção científica da geração. Hideo Kojima mais uma vez empurrou os limites do que um videogame pode ser, e o resultado é nada menos que extraordinário. Se você é fã do primeiro jogo ou está procurando uma experiência única e memorável, Death Stranding 2 é imperdível.

Nota selecionada:
10
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Fuyushiro

Fã de ficção científica (de steampunk a sail punk), animes, mangás e games. No Refúgio Gamer, irei compartilhar as principais notícias e rumores da indústria de games.

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