Análise de Ghost of Yōtei
Ghost of Yōtei é mais do que uma sequência: é a consolidação da Sucker Punch no gênero de ação-aventura em mundo aberto.
Introdução:
Lançado com exclusividade para PlayStation 5 em 2 de outubro de 2025, Ghost of Yōtei, desenvolvido pela Sucker Punch Productions, avança três séculos no tempo, deixando para trás a defesa de Tsushima contra os mongóis (1274) e mergulhando no cenário anárquico do Período Edo, em 1603. A trama se desenrola na ilha de Hokkaido (antiga Ezo), uma terra gelada e sem lei, cenário perfeito para a história de vingança de Atsu.
Inspirações:
O jogo incorpora elementos de diversas obras, assim como Tsushima, mas agora com um tom mais maduro e sombrio.
Kurosawa: A fundação estética e a honra visual dos duelos permanecem. A fotografia do jogo, com suas composições em preto e branco (disponível como filtro) e o uso dramático da névoa, é uma homenagem direta.
Western Americano/Spaghetti e RDR2: Esta é a alma de Yōtei. O mundo aberto simula uma fronteira indomada. O ritmo da exploração, o acampamento, a caçada e a estrutura moralmente cinzenta da trama são diretamente inspirados em Red Dead Redemption 2. Atsu é a “mercenária solitária” do Velho Oeste japonês.
Narrativa:
Sem entrar em grandes spoilers, a história acompanha Atsu, uma órfã que presenciou o massacre de toda a sua família pelo grupo conhecido como os "Seis de Yōtei". Agora não é mais uma questão de e Honra vs. Fantasma, mas de Justiça vs. Vingança. O roteiro questiona o preço da violência e se a vingança pode, de fato, trazer paz. Os diálogos são afiados, com menos exposição e mais tensão psicológica, muitas vezes usando o silêncio e o olhar para transmitir a ameaça. O jogo se divide em atos que parecem contos curtos, cada um focado em um dos "Seis", permitindo que o jogo explore diferentes nuances de vilania (do político corrupto ao bandido sádico).
Desenvolvimento de Personagens:
Atsu: no início, Atsu é definida apenas pelo seu ódio contra os "Seis de Yōtei". O jogo usa diálogos curtos e uma atuação de voz contida para mostrar que ela evita conexões para não se desviar do seu objetivo. O arco dela foca na transição de instrumento de morte para uma pessoa com escolhas, questionando se haverá algo sobrando dela quando o último alvo cair. O jogo desenvolve a personalidade de Atsu através de pequenas ações. O modo como ela cuida de sua espada, a forma como ela interage com a natureza ou o cansaço visível em suas animações após grandes batalhas contam mais sobre o peso que ela carrega do que qualquer cutscene expositiva.
Os "Seis de Yōtei": cada um dos seis alvos representa um caminho que Atsu poderia ter seguido. Alguns buscaram o poder, outros a reclusão e outros se tornaram monstros por necessidade. Ao confrontar cada um, Atsu confronta partes de si mesma. O jogo desenvolve esses vilões através de histórias contadas por camponeses e pelos próprios cenários onde vivem, criando uma antecipação psicológica antes mesmo do duelo final.
Aliados: os personagens secundários (como os nativos Ainu) são fundamentais para tirar Atsu de sua bolha de ódio. Os aliados de Atsu raramente estão com ela por "bondade", sempre pedem em troca algo, até os senseis que ensinam Atsu a lutar com diferentes armas têm seus próprios motivos para ajudá-la.
Gameplay:
O combate foi aprimorado e modernizado, com foco na versatilidade e na brutalidade, refletindo o novo contexto histórico. Embora eu tenha sentido falta das posturas no início, isso ficou para trás assim que fui desbloqueando as novas armas, que substituem bem as posturas do primeiro jogo.
Katanas Duplas: serão sua principal escolha para enfrentar os Lanceiros, pois são rápidas, embora não sejam tão eficazes contra inimigos com katana. Ainda assim, é muito estiloso usá-las.
Kusarigama: arma de média distancia, usada principalmente para quebrar escudos, também é possivel assasinar alvos em stealh, puxando eles para a grama alta, muito util.
Ōdachi: a espada grande dos samurais, ela é a arma menos usada do jogo, pois é lenta, embora poderosa, é mais util contra os brutamontes.
Yari: finalmente é jogável. A lança oferece o melhor controle de distância do jogo. É perfeita para manter inimigos com Kusarigama seu moveset inclui estocadas rápidas e giros que varrem vários oponentes, sendo a arma definitiva para quem prefere um estilo de jogo mais seguro e defensivo.
Tanegashima: a inclusão de Tanegashima e uma pistola (que também serve como aparo) reflete o ano de 1603. A Tanegashima é lenta para recarregar, mas seus tiros causam muito dano, se for headshot é hitkill na maioria dos inimigos.
Além disso, temos o retorno de algumas armas do primeiro jogo, como o arco curto e o arco pesado, que causa mais dano, embora seja mais lento. Também voltam algumas ferramentas shinobi, como kunais, bombas de fumaça e um pó que cega temporariamente os inimigos, sendo útil para escapar de batalhas difíceis. Você também pode pegar as armas caídas dos inimigos, que agora caem quando você os golpeia enquanto suas armas brilham em amarelo. Se não conseguir acertar a tempo, sua arma cairá e você precisará trocá-la ou pegá-la novamente.
O Gancho: ele está de volta, assim como em Tsushima pode ser usado em combate para se reposicionar rapidamente em telhados ou puxar objetos que estão bloqueando o caminho.
Caça a Recompensas: inspirado em RDR2, você pega cartazes de procurados nas vilas e parte em busca de criminosos, sendo recompensado com moedas do jogo ou itens cosméticos.
Atividades como escalar santuários, desafios de bambu, duelos e fontes termais estão de volta.
Direção de Arte e Level Design:
Hokkaido é simplesmente deslumbrante. O jogo usa o Monte Yōtei como um ponto de referência constante, quase como uma bússola visual. Sem dúvida, é um dos cenários mais bonitos do PS5, com destaque para a iluminação volumétrica e os efeitos climáticos impressionantes.

A direção de arte faz o jogo parecer uma pintura Ukiyo-e. O contraste da neve com o sangue e as flores vermelhas é hipnotizante.

Você pode caçar os Seis de Yōtei na ordem que quiser (com exceção de 2 que são scriptado para o final). Isso dá uma liberdade de progressão fantástica, permitindo que você explore regiões de neve ou florestas densas conforme seu desejo. Embora isso também possa dificultar um pouco o jogo a depender da ordem escolhida.
Trilha Sonora e Áudio:
A música é sublime e altamente contextual. Além dos instrumentos tradicionais, a trilha sonora incorpora vocais com letras em momentos chave de combate ou exploração, que atuam como um monólogo interno de Atsu, refletindo temas de luto, fúria e redenção.
Áudio: O uso do Tempest 3D é muito bem aproveitado, como acontece na maioria dos exclusivos da casa. O posicionamento do som (flechas assobiando, passos na neve, galhos estalando) leva a imersão a um novo nível.
Dublagem: Todas as opções são excelentes. O Japonês é o ideal para a imersão cultural. O Português do Brasil e o Inglês mantêm um padrão de excelência, com o trabalho de voz de Atsu carregando a gravidade e o cansaço de uma ronin.
Aspectos Técnicos:
Por ser um exclusivo de nova geração, o jogo exige alto desempenho. O Modo Desempenho (60fps) é fundamental para o combate. Já o Modo Fidelidade (4K com Ray Tracing limitado) oferece visuais impressionantes, mas os 60fps continuam sendo a melhor opção. Joguei no PS5 base, no modo desempenho, e não enfrentei problemas de performance.
O tempo de carregamento (Fast Travel) é praticamente instantâneo, mantendo o fluxo do mundo aberto. Quando você desliga o PS5 e volta pro jogo, ele retorna onde parou em 2 segundos, sem necessidade de passar por menus e dar continuar, um excelente trabalho da Sucker Puch.
Conclusão:
Ghost of Yōtei é uma obra-prima de vingança e exploração. Ele pega a fórmula que conhecemos e amamos, adiciona liberdade e alguns conceitos de um Western, e envolve tudo em um pacote técnico visualmente impressionante. É uma evolução técnica e narrativa que redefine o que um jogo de samurai moderno pode ser. Se você tem um PS5, é compra obrigatória se curte o tema e está cansado dos Assassin's Creed RPG.

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