Análise | Ghetto Zombies: Graffiti Squad – O sucessor espiritual brasileiro de Zombies Ate My Neighbors

Confira nossa análise de Ghetto Zombies: Graffiti Squad, o sucessor brasileiro de Zombies Ate My Neighbors que acaba de chegar ao PC e Xbox. Descubra se o indie da Fogo Games realmente vale a pena.

Introdução

Ghetto Zombies: Graffiti Squad é um jogo brasileiro que chegou primeiro ao PC em 16 de janeiro de 2026 e posteriormente recebeu uma versão para Xbox Series X|S em 25 de fevereiro. O título foi desenvolvido pelo estúdio indie Fogo Games e publicado pela Nuntius Games.

Com uma proposta simples e direta, o jogo aposta em uma fórmula que remete aos tempos em que a diversão vinha antes da complexidade técnica dos grandes títulos AAA. Essa abordagem lembra uma era em que mecânicas acessíveis e criatividade eram suficientes para prender o jogador por horas.

Ao jogar Ghetto Zombies, é difícil não sentir esse ar de nostalgia. Esse é justamente um dos pontos fortes do cenário indie: liberdade criativa e foco na jogabilidade, muitas vezes deixando de lado a busca por realismo técnico.

Inspirações e Referências

Ao iniciar a jogatina, é impossível não sentir aquele gostinho de nostalgia. A inspiração em Zombies Ate My Neighbors, clássico da LucasArts que marcou o Super Nintendo e o Mega Drive, é evidente, mas a Fogo Games conseguiu dar uma pegada bem brasileira à fórmula. Enquanto no jogo original usamos pistolas d’água, aqui o arsenal inusitado recebe um toque de 'gambiarra' e o humor nacional que tanto apreciamos.

Narrativa

Sendo bem breve, esse não é o ponto forte do jogo e nem é a sua proposta se aprofundar em uma história rica e cheia de detalhes, ela só serve como uma breve introdução para contextualizar o jogador ao que está acontecendo. Em resumo, nossos heróis viviam na Vila Fundinho e certo dia aconteceu uma contaminação na água da Cidade Grande, o que fez com que quem a consumisse virasse zumbi, logo um monte desses seres rastejantes estavam indo em direção à Vila. Mas as coisas não acabariam assim, sem nenhuma resistência. Com o passar do tempo, a Vila Fundinho virou uma fortaleza, protegendo a humanidade contra zumbis, tendo até mudado seu nome para Vila Perigo.

Como em toda história de zumbi, é preciso de uma busca incansável pela cura, e quem ficou encarregado com isso foi o professor Vara. Ele reuniu as mentes mais brilhantes para não só buscar a cura, mas também criar as mais diversas armas possíveis para combater essa ameaça de mortos-vivos. Os personagens que controlamos em Ghetto Zombies são jovens mutantes criados pelo Prof. Vara, formando o Esquadrão-Z, eles possuem habilidades especiais e treinamento de elite para combater essa grande ameaça.

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Gameplay

O foco principal do jogo é na sua jogabilidade. Logo de cara, ao vermos as opções de escolha de personagem, notamos que cada um deles começam com pontos previamente distribuídos em vitalidade, ataque, agilidade e fôlego. O principal motivo de eu ter escolhido a personagem Duda é que ela já começa com 5 pontos de ataque e eu achei que isso seria uma boa vantagem ao decorrer da jogatina.

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A mecânica é simples, há vários zumbis circulando numa área e o jogador vai atirando neles, ao fazer isso ganha estrelas que são trocadas por novas armas e vida. Há no jogo diferentes lixeiras, umas específicas que garantem vida e outras para liberar o mais insano arsenal possível. Para usar o que há em cada lixeira, deve-se utilizar essas estrelas, funcionando mais ou menos como se fossem moedas. No meio do caos, quando a munição estiver escassa, acaba sendo indispensável essa mecânica, garantindo também uma melhor dinâmica já que o jogador terá uma maior quantidade de armas para escolher.

O objetivo do jogo não é apenas matar os zumbis, é preciso pichar muros específicos para avançar para a próxima área. Funciona assim: são 4 capítulos e cada um deles tem áreas que o jogador deve passar, em cada uma delas há uma quantidade de muros para pintar (variando entre 1 a 4, geralmente), para cada muro pintado surge uma mochila que geralmente vem com estrelas e munição, sendo que na última libera a chave para ir para a próxima área e assim avançar no jogo.

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É importante ressaltar também que o personagem só pode carregar 3 armas por vez, sendo possível alternar entre elas. Ao apertar LT no controle do Xbox a mira fixa em algum inimigo, e com RT, você atira. Apertar Y garante ataque corpo a corpo, o que é bastante útil para destruir as caixas presentes nos cenários (liberando mais estrelas e munições).

Derrotar os zumbis é essencial para ganhar experiência, elevando o nível do personagem. Ao subir de rank o jogador ganha pontos de habilidades, para gastá-los terá que ir para um dos diferentes acessos à base do Esquadrão-Z que ficam espalhados em diferentes locais pelo mapa, acessando-a o personagem tem sua vida restaurada, consegue reabastecer a munição e, como já falei, upar atributos (vitalidade, ataque, agilidade e fôlego).

A variedade de armas é impressionante, tem de todos os estilos: revólver, sniper, metralhadora e shotgun. A graça é que cada uma delas é bem inusitada, por exemplo, tem uma arma que atira salsicha e tem o formato de cachorro-quente. Quanto aos zumbis, também percebi o esforço da Fogo Games em variar cada um deles, dispondo de diferentes ataques e movimentos. Posso citar um em específico que era bem chato de enfrentar, pois deixava uma gosma no chão que ao tocar nela o personagem ficava desorientado, invertendo os controles por um tempo limitado. Já o combate corpo a corpo é bem inútil para matar zumbis, só servindo praticamente, como já comentei, para quebrar as caixas do cenário.

Um problema evidente em Ghetto Zombies é que algumas armas demoram bastante para recarregar, eu não sei muito bem o motivo, mas atrapalhava um pouco a gameplay, principalmente nas lutas contra chefes, onde todo tempo é ‘ouro’.

Falando em chefe, ao fim de cada capítulo há uma luta contra ele, o que não deixa de ser algo legal de se ter em um jogo. Os movimentos do chefe foram muito bem elaborados, apenas senti que faltou uma variedade, já que ao derrotá-lo ele voltava mais forte no fim dos capítulos posteriores, ou seja, lutamos sempre contra o mesmo inimigo, porém não senti uma mudança drástica na mecânica, então era mais ou menos como se repetisse a mesma luta três vezes.

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Ritmo e Pacing

No geral, eu gostei do ritmo do jogo, levei 5 horas para zerar e não acho que ficou cansativo, souberam trabalhar muito bem nisso. É repetitivo já que sempre o jogador estará fazendo a mesma coisa, derrotando zumbis, pichando muros e coletando chaves para passar para a próxima área, mas em nenhum momento achei que ficou cansativo.

Aspectos técnicos

Apesar do jogo funcionar bem, de maneira geral, eu tive problema na luta contra o último chefe, ele simplesmente ficou parado sem fazer nada, fazendo com que eu não tivesse dificuldade alguma para derrotá-lo, o que provavelmente foi um bug. Já quanto às lutas anteriores contra o mesmo inimigo, elas eram divertidas, apesar de faltar variedade.

Trilha Sonora e Design de Áudio

As músicas em Ghetto Zombies são boas e animadas, de acordo com a proposta do jogo. Elas são, no geral, bem trabalhadas e correspondem às expectativas de um jogo indie. Os efeitos sonoros, por outro lado, apesar de serem bem feitos, têm problema no som de tiro, já esse que destoa com o resto do jogo, não por não serem bons, mas por serem muito baixos, eu realmente tive dificuldade em escutá-los, o que poderia ter sido melhor trabalhado.

Direção de Arte

O destaque aqui fica no belíssimo pixel art, dando uma vibe bem descontraída e estilosa. O jogo é colorido, em contraste com os típicos jogos de zumbis que costumam ser sombrios e sangrentos. Aqui você até esquece que está num apocalipse zumbi. A arte representa bastante isso.

A HUD é limpa e bem feita, mostrando no canto superior esquerdo o personagem que escolhemos controlar, a barra de vida, a estamina (já que é possível dar ‘dash’), o nível do personagem e quantidade de estrelas. Em baixo, no canto inferior esquerdo, são mostradas as três armas que carregamos e quantidade de munição de cada uma delas, sendo possível alternar entre elas em qualquer momento.

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O que o jogo faz de melhor
Onde ele tropeça
Veredito

Com um toque brasileiro único e uma pitada de humor, Ghetto Zombies: Graffiti Squad consegue usar elementos de nossa cultura em um jogo divertido e curto, cobrando um preço justo para isso (R$19,95). Não é um título que vai mudar drasticamente o cenário dos jogos indies, nem acho que essa seja a intenção dos desenvolvedores, porém irá agradar os entusiastas que gostam de descobrir novos indies para jogar. Mesmo com alguns problemas técnicos e pequenas limitações de variedade, o título consegue equilibrar boas ideias de gameplay com uma direção artística carismática, resultando em uma jogatina simples, mas divertida.

Aviso de transparência:

Ghetto Zombies: Graffiti Squad foi analisado a partir de uma cópia cedida pela Nuntius Games. O conteúdo reflete exclusivamente a opinião editorial do Refúgio Gamer, sem interferência externa.

Nota selecionada:
7
Tags:AnálisePCXbox
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Kakaroço

Gosto de jogar videogame.